A difícil escolha de um sócio: o que as famílias empresárias precisam saber

18 de março de 2026, por João Bosco da Silva | Sócio e Consultor Sênior

Escolher um novo sócio é uma das decisões mais complexas — e também arriscadas — que uma família empresária precisa tomar.

Em grupos familiares, é natural que a sociedade se forme entre os herdeiros de segunda ou terceira geração. Mas nem sempre os descendentes desejam seguir juntos no mesmo empreendimento. Em muitos casos, os acionistas avaliam trazer um novo parceiro para reduzir o endividamento — cenário comum em tempos de juros altos — ou para viabilizar projetos de crescimento rentáveis.

Na Cambridge Family Enterprise Group (CFEG), trabalhamos há mais de 15 anos com famílias empresárias no Brasil e há 35 anos globalmente, tendo acompanhado suas dificuldades e impasses em processos de mudança da estrutura societária. Para compartilhar o conhecimento e aprendizado adquiridos ao longo desse período, quero abordar neste e nos próximos artigos os pontos críticos para a escolha de um sócio.

A imprensa divulgou recentemente que as fusões e aquisições no Brasil atingiram até junho de 2025 o valor de R$ 145 bilhões, um crescimento de 50% em relação ao ano anterior. Em número de negócios, houve queda de 31%, atingindo um total de 255, segundo dados da consultoria Dealogic.

Algumas operações de grande porte responderam pela maior parte desse valor, como: a fusão entre Marfrig e BRF, no setor de proteínas; a aquisição, pela J&F, da Eldorado por R$ 15 bilhões — resolvendo um longo litígio com a Paper Excellence —; e a compra, pelo fundo de pensão canadense CDPQ, das linhas de transmissão da Equatorial, por R$ 10 bilhões, entre outras.

O mercado parece aquecido e os investidores estrangeiros voltam a olhar para o Brasil. Especialmente nas fusões, existe um cuidado importante que vai além do racional estratégico da operação e é pouco avaliado pelos bancos de investimento: a compatibilidade entre os novos sócios.

Por que operações deste tipo às vezes fracassam?

Os valores e princípios dos acionistas envolvidos não podem ser ignorados em uma operação de fusão. Especialmente quando falamos de empresas familiares, é preciso lembrar que, por trás de um líder empresário, existe uma história, um legado com raízes, culturas e crenças desenvolvidas ao longo dos anos.

Uma operação estrategicamente perfeita pode naufragar se os estilos e valores dos líderes não forem compatíveis. Temos visto inúmeros casos assim acontecerem, o que gera desgaste e prejuízos imensuráveis para os acionistas.

Pela nossa experiência, são necessários alguns passos importantes para realizar um processo de fusão com sucesso. O mais importante é desenvolver junto com os novos sócios uma estratégia de longo prazo. Não se trata da estratégia da empresa — que possivelmente está delineada no racional da fusão —, mas sim de refletir sobre o que queremos como acionistas, aonde queremos chegar e o que almejamos construir juntos.

A abordagem que desenvolvemos ao longo dos últimos anos tem obtido resultados muito positivos. Utilizamos uma metodologia própria de trabalho com os acionistas, a partir de um conjunto de questionamentos: qual o propósito do meu sócio potencial? Ele valoriza o lucro acima de tudo ou considera o crescimento sustentável e o impacto social? O que ele pensa dos valores que nos trouxeram até aqui como família empresária?

Iniciamos com entrevistas individuais e vamos construindo o consenso ao longo do processo, culminando com o que chamamos de mandato dos acionistas para os executivos e o Conselho de Administração. Por meio deste processo, alinhamos os acionistas e definimos com clareza as expectativas que têm em relação à gestão.

Um processo de fusão de empresas que inclui uma metodologia estruturada tem muito mais chance de sucesso. Caso queira entender como funciona esse trabalho, entre em contato com nossa equipe. E se você tem interesse nesse tema, convido a continuar acompanhando os próximos artigos, em que vou abordar outros pontos relacionados à gestão da sociedade.

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